Um Santo e um comerciante

É interessante o que se passou certa ocasião com São João Bosco, grande amigo da mocidade e grande convertedor de pecadores. Apresentou-se-lhe um comerciante para tratar de assuntos relativos ao seu comércio. Mas, como para aquele grande mestre o maior negócio da vida era o da salvação eterna da alma, conhecendo sem dúvida por divina revelação que aquele homem andava muito bem de assuntos financeiros, porém muito mal de temor de Deus e muito afastado dos seus deveres de cristão, disse-lhe sem mais preâmbulos:

— Já sabe, amigo, que é preciso confessar-se?

— D. Bosco – replicou o comerciante – deixemos esse assunto para outro dia.

— E, contudo, este é o mais importante de todos. O amigo já sabe que é preciso confessar-se e fazer a Páscoa.

— Ninguém o duvida!… Mas eu não vim para isso.

— Pois eu para isso estou aqui, por isso vou repetir: Já sabe, amigo, que é preciso que se confesse e que faça a Páscoa?

O comerciante ficou um pouco agastado e disse:

— Mas, Dom Bosco, o senhor me tem por um herege?

— Não, amigo B replicou o santo com seu sorriso imperturbável B, não o tenho por herege, mas digo-lhe unicamente que é preciso confessar-se e fazer a Páscoa.

— Bem, exclamou enfado o comerciante, e quem lhe disse que eu ainda não o fiz? Quem lhe disse que ainda não me confessei este ano?

Dom Bosco, com as mãos cruzadas sobre o peito, e fixando-o com um olhar que penetrava até o fundo da consciência, disse-lhe acentuando bondosamente cada palavra:

— Está bem; eu apenas lhe recordo que é preciso…

— Pois eu lhe digo, insistiu o comerciante, que eu agora não tenho vontade nem tempo.

— E eu repito, acrescentou o santo, que é preciso…

Não pode resistir mais o comerciante а graça de Deus, que, pelas palavras do grande educador, lhe comovia o coração e respondeu:

— Meu Padre, faz mais de quarenta anos que não me confesso.

E o santo com maior bondade, maior doçura e compassivo olhar, respondeu:

— Por isso, meu filho, eu lhe dizia: “É preciso confessar e fazer a Páscoa”.

E, após uma boa confissão, o comerciante, que fora tratar de assuntos comerciais, dali saiu mais rico e feliz do que nunca por haver comprado a graça de Deus e a paz da alma.

Assim compreendemos a necessidade da confissão para nos reconciliarmos com Deus e para obtermos graças para não voltarmos a cair no pecado, pois como diz o apóstolo: “Quando me sinto fraco, então é que sou forte”.

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