O Sacerdócio e a Eucaristia

Imaginemos que Deus nos conferisse o poder – que somente a Ele pertence – de infundir alma racional num animal com o qual nós gostaríamos muito de entrar em contato, instruir, conversar, trocar ideias, manter uma interlocução.

É natural que cada qual tenha preferência por um certo animal, cujo “temperamento” seja mais a fim com o seu. Alguns serão excessivamente sanguíneos e preferirão “relacionar-se” com um colibri, outros serão fleumáticos e preferirão relacionar-se com um cordeiro. Outros, como São Jerônimo, escolherão a companhia de um leão…

Mas há, na América do Norte e no Canadá, uma espécie de esquilo, especialmente gracioso e dotado de tanta vivacidade, esperteza e graça, que parecem “inteligentes”. Se nos fosse dada a faculdade de infundir uma alma racional em um esquilo, de modo que ele nos servisse de interlocutor, nós seríamos levados a agir com ele do mesmo modo como um pai age com o filho, à medida que ele começa a despertar para o uso da razão e balbuciar as primeiras palavras: Jesus, Maria, papai, mamãe… O bom pai fica ansioso a espera do momento em que o filho, atingindo o uso da razão, possa relacionar-se com ele, estabelecendo assim uma tão desejada interlocução. Esta é uma das mais apreciáveis formas de interlocução, que poderíamos chamar de “consonância por semelhança”.

Assim, Deus, na sua infinita bondade quis ter interlocutores semelhantes a Ele. E para isto criou seres inteligentes: os anjos e os homens.

O ápice de amor de Deus pelo homem, é a encarnação do Verbo. O filho de Deus se fez homem Verdadeiro sendo portanto o elo entre a humanidade e a divindade.

“Deus se fez homem, para que o homem se fizesse Deus”[1].

Nosso Senhor Jesus Cristo, instituindo na Quinta-feira que antecedeu sua paixão, o sacerdócio da nova aliança e a sagrada Eucaristia, pão vivo e verdadeiro, quis manter sua augustíssima presença entre nós, até a consumação dos séculos.

Somente Deus seria capaz de fazer esta maravilha que é a Eucaristia. Que prova de amor maior, do que o próprio Deus encarnado dar-se a nós como alimento? Deus por esse sacramento se submete de modo mais inimaginável à criatura saída das mãos d’Ele, pois, instituindo o sacerdócio, deu ao homem a possibilidade de ser instrumento para a transubstanciação que se opera pelo simples repetir, com intenção de fazê-lo, das palavras do Divino Mestre. “Fazei isto em memória de mim”. (Lc 22, 19).


[1] “Deus homo factus est, ut homo fieret Deus”. ( Santo Irineu,  Adversus haereses, 5, praef.)

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