A origem das pérolas

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Ao lermos, ou melhor, meditarmos as palavras do Divino Mestre nas Escrituras, não é difícil perceber, com que maestria pedagógica Jesus instruía sobre o Reino de Deus.

Usando fatos históricos, casos do dia a dia, exemplos e parábolas. Desse modo revestia sua doutrina com o que mais tarde chamou o Doutor Angélico “voltar para as imagens” (conversio ad phantasmata).

Usar símbolos para expressar algo é uma ferramenta que nos auxilia a mostrar verdades por comparações.

As próprias fábulas nos ajudam a reverter em princípios as analogias contidas nessas narrações fantasiosas. Um exemplo disso é o que se segue nessa fábula de Athalicio Pithan “A Origem das Pérolas”.

“Tombou Abel, assassinado pelo invejoso e cruel irmão.

Impulsionada pelo instinto materno, tentou Eva reanimar o filho morto, acariciando longamente seu corpo exânime.

Quando se convenceu de que Abel não despertava mais, desconsolada e aflita, caminhou longa jornada, até junto à praia do mar a aí se quedou a olhar, assombrada, a extensão das águas até então desconhecidas. Nesse momento, afloraram‑lhe aos olhos suas primeiras lágrimas. Uma após outra rolou silenciosamente pela face e foi cair sobre as pétalas de pequeninas flores, entre os rochedos.

Adão, que havia seguido ocultamente sua esposa, observava de longe, sem ser visto. Quando Eva se afastou, foi ver o que havia caído dos olhos chorosos da mulher e, encantado com a forma e o esplendor das gotas minúsculas, tomou‑as, escondeu‑as no interior de conchas e enterrou‑as na areia.

Curioso, esperou o mar que Adão Adormecesse, ao cair da noite. Fez então um esforço titânico, cresceu, elevou‑se, estendeu ondas de espuma até o tesouro escondido e recolheu feliz as conchas das lágrimas.

Mas as ondas, ao contato das lágrimas, que se fizeram pérolas, também choraram e até hoje se escuta sua voz plangente junto das praias”.

E, quando o homem quer uma pérola, tem de escutar primeiro o pranto das vagas e descer depois à profundidade do mar, onde se ocultam ainda, em modestas conchas, as lágrimas de nossa primeira mãe.

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