Uma conversão diferente


            Conta-se que São Bruno, mais tarde fundador dos Cartuxos, pouco antes de completar o ensino superior, viveu algo que lhe mudaria o rumo.
            Conhecia ele um professor que gozava de boa fama e era muito querido por parte de todos, entretanto foi colhido por uma morte inesperada, que chocou aos que conviviam com o catedrático; seria também tal mestre tão querido assim por parte de Deus?
            Os fatos comprovariam que não… Enquanto velava-se o corpo, era cantado o tradicional ofício dos defuntos, estava presente o jovem Bruno, atento e compenetrado em tal cerimônia, que até então nunca havia presenciado; numas das partes da oração cantada, se pergunta: quantas são as vossas iniquidades? – Evidentemente que a indagação é feita de modo simbólico, sem esperar a resposta do féretro – Aconteceu porém, para espanto dos presentes algo de bem diferente do que esperavam.
Levantando um pouco a cabeça, responde com voz grave e triste, o professor falecido:
– Fui julgado!
            Assustados, os poucos que sobraram no recinto, preguntavam-se o que viria a ser tal afirmação, de ter sido julgado, pois sabemos que todos homens serão réus no divino tribunal, e não satisfeitos com a resposta do cadáver, decidiram reunir-se todos no dia seguinte, para uma nova cerimônia.
            Na hora marcada, começa novamente o ritual, não é preciso dizer que dessa vez, abarrotado de curiosos, para comprovar se de fato aconteceria novamente tão pavoroso episódio.
Na mesma parte do hino, levanta-se o professor e diz:
– Fui julgado, e sentenciado!
            Todos os presentes, continuavam com medo, e não havia menor dúvida, de que sentença seria essa do falecido.
            Não contentes, com o até então dito por aquela voz tenebrosa vinda do além, decidiram marcar novamente novas exéquias, pois uns diziam estar o professor condenado, já outros afirmavam, não ter dito nada a respeito de seu destino eterno, o simples fato de ter sido julgado e sentenciado, pois todos homens o serão, tendo por sentença, céu ou inferno.
            Com maior número ainda de assistentes, pela terceira vez se faz a pergunta tão esperada.            Com voz desesperada e pavorosa, pronuncia a seguinte afirmação o infeliz, desta vez não deixando margens à qualquer dúvida:
– Fui julgado, sentenciado e condenado!
E caiu como uma pedra, novamente deitando-se no caixão.
            O fato marcou tão fundo o jovem Bruno, que a partir daí mudou de vida, e passou a levar tudo muito mais a sério e a pensar mais nos seus novíssimos, pois se uma pessoa com boa fama, teve tão infeliz sorte, qual terei eu? Pensava. Foi ele mais tarde, o grande São Bruno, fundador dos Cartuxos.

            Pensemos em nossos novíssimos e não pecaremos eternamente, preparemo-nos para a morte, para que esta não venha como um ladrão e nos pegue de surpresa.

Um Comentário para: “Uma conversão diferente

  1. É isso mesmo, preparemo-nos para a morte, que “virá como um ladrão, sem que saibamos a hora”, tendo sempre em mente os nossos Novíssimos, muito unidos a Nossa Senhora, rezando muito para que Ela nos proteja “agora e na hora da nossa morte, Amém”.
    Salve Maria!

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