Às portas da morte, um auxílio inesperado…

Guiando uma expedição que vinha de Cuiabá, estava o capataz Manoel Portes. Homem de temperamento instável e trato austero, ele pouco controle tinha sobre si. Quando algo lhe desagradava, a raiva e a ira facilmente lhe turvavam a razão e ele se dava a arroubos de cólera, capaz de colocar medo em quem quer  que o via.

À noite, sob o céu estrelado de Potanduva, às margens do rio Tietê, o capataz dá ordens para a expedição montar acampamento. Tendas se montam aqui e ali, os animais são deixados a pastar e fogueiras são acesas para benefício dos viajantes.

Portes fazia sua ronda habitual no acampamento para verificar se tudo estava em ordem, mas algo nesta noite lhe fez perder a paciência. Um caboclo, de nome Apolinário, sujeito um pouco indisciplinado e pouco dado a obediência, já havia sido repreendido várias vezes ao longo da viagem, porém não buscava emendar-se. Apanhá-lo em falta esta noite, foi, para o capataz, o estopim de sua raiva, injustificável por sinal, independente de todos os erros do outro.

Apolinário foi submetido a dura vexação, sendo açoitado publicamente.

-Homem indisciplinado – gritava Manoel Portes.

Findada a aborrecível cena, Apolinário é tomado por um intenso desejo de vingar-se. Sem titubear, toma um facão e, ao Portes virar-se, crava-lhe o facão em suas costas. Qualquer tentativa de reação por parte do golpeado ou daqueles que assistiam a cena se torna inútil. Apolinário já sumia por entre as árvores de um bosque.

Manoel Portes, sentindo suas forças minguar e sua vida esvair-se, é acometido por uma dor pungente de seus pecados. Lágrimas lhe escorrem as faces ante o temível espetáculo da morte. Não deseja outra coisa, senão confessar-se.

– Meu Deus, não deixai-me morrer sem a confissão! – gritava o moribundo com o pouco fôlego que o restava – Mandai a Frei Galvão para me confessar!

Imediatamente todos veem o vulto de um frade que se aproxima. Seu semblante sério e amável impõe a todos respeito e traz tranquilidade, apesar do acontecido. Sem mais demoras, todos estupefatos reconhecem ser o Frei Galvão.

Vendo o moribundo, o santo frade aproxima-se solicitamente. Põe a cabeça do ferido em seu colo e passa a confessá-lo, encostando seu ouvido próximo a boca dele, que pouco tinha forças para falar. Ao fim da confissão, dá-lhe a absolvição e a benção. Podia agora Portes morrer e paz. O frade desaparece então tão misteriosamente como tinha aparecido.

Afirma-se que, no momento em que tudo isso ocorreu, Frei Galvão pregava um sermão numa igreja em São Paulo. Subitamente, interrompeu o sermão e pediu uma Ave-Maria por um moribundo que agonizava. Terminada a oração, prosseguiu com a pregação.

Neste dia 25, celebramos o dia de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, o Frei Galvão. Peçamo-lhe que interceda por nós, alcançando-nos de Deus as graças que mais nos forem necessárias!

Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, rogai por nós!

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