Um trem, uma cruz, um santo…

José e seu irmão mais novo Augusto saíram para fazer um passeio num parque da cidade. Próximo ao destino, uma situação que tinha tudo para ser entediante: um trem começava agora a atravessar a pista. O sol escaldante daquele dia e a melancolia dos vagões barulhentos inquietaram Augusto.

Procurando avidamente algo com o que se entreter, Augusto se depara com um objeto que lhe suscita o interesse.

– Que pitoresco aquela placa, com um “X”, escrito “linha”. – Indagou Augusto, apontando curiosamente para o singular sinal de trânsito.

– Aquele sinal de trânsito chama-se Cruz de Santo André.

– Mas, Cruz de Santo André… O que ela quer indicar?

– Ela indica que há uma linha férrea que cruza em nível a pista.

Mas a resposta de José era insuficiente para sanar o interesse de seu irmão. Queria saber o que uma coisa tem a ver com outra, ou seja o que a placa tem que a ver com Santo André… Por que haveria um sinal de trânsito ter como nome o de um santo? E por que uma cruz em forma de “X”? Todas esses questionamentos afloravam continuamente na imaginação de Augusto . Ainda mais entusiasmado pela questão, pergunta:

– Mas qual a relação desse sinal com o apóstolo Santo André?

Vendo, por fim, o real interesse de seu irmão pelo curioso símbolo, José explicita calmamente a relação.

– Santo André, irmão de São Pedro, recebeu o martírio sendo crucificado em uma cruz com o formato de “X”, igual à do sinal. Estando para ser crucificado, o Apóstolo achava-se indigno de ser crucificado em uma cruz igual à de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pediu, então, que fosse crucificado dessa forma.

Augusto suspirou de admiração ao ouvir o ocorrido.

– Que grandeza a desse santo! Não temeu a cruz, muito pelo contrário, aceitou-a com resignação, aproveitando até esse momento para demonstrar sua submissão à Cristo Nosso Senhor.

– Realmente. Tamanha a fortaleza de Santo André que ele ficou três dias crucificado e, ao expirar, disse: “Senhor, Rei Eterno da Glória, recebei-me assim pendido, como estou, ao madeiro, à cruz tão doce.”

– É justo que uma morte tão heróica seja lembrada até mesmo nos sinais de trânsito! – Exclamou Augusto, enlevado pelo martírio do santo.

-E neste dia 30, a Igreja celebra a festa de Santo André.Aproveitemos a ocasião para pedir-lhe muitas graças! – conclui José, ele próprio admirado da alegria de seu irmão

Terminado a estimulante conversa, o último vagão do trem passava, e eles prosseguem o passeio.

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