O temor de Deus, início da Sabedoria(Sl 110,10)

Ensina-nos o príncipe dos teólogos, São Tomás de Aquino, e com ele a teologia em geral, que há duas linhagens de temor de Deus, que a Ele nos aproxima e conduz:

– A primeira, que é à maneira do servo para com seu senhor. É o Temor Servil.

– A segunda, é à maneira do filho para com seu pai. É o Temor Filial, ou Casto.1

De modo conciso, nos explica o Doutor Angélico:

No Temor Servil, não en­contramos outro motivo para nos aproximar de Deus e fugirmos das ocasiões próximas de pecado do que meditarmos nas penas e nos castigos que nos esperam no In­ferno, caso tenhamos a desgraça de morrermos longe de Sua amizade, ou seja, em pecado mortal.

Já no Temor filial, não são mais os castigos que nos movem a fugir das ocasiões próximas de pecado, mas sim o Temor de ofender a Deus e de perdê-Lo.

Um tem como objeto o casti­go, do qual se procura escapar (Te­mor Servil); outro tem como objeto o pecado, as imperfeições, que se querem evitar (Temor Filial).

Em outros termos: no primeiro, teme-se o castigo. No segundo, teme-se que Deus de nós se afaste. Donde se conclui que quanto mais amarmos a Deus, tanto mais te­meremos que Ele de nós se afaste. Sendo, portanto, o Temor Filial, na realidade amor.2

Deste belo Temor Filial, abundam exemplos dos santos. Vejamos:

Santo Inácio de Loyola não se atrevia a passar a noite em uma casa em que houvesse um só homem sabidamente em pecado mortal.

São Luís, Rei de França, preferia ter todas as doenças imagináveis antes que comete um só pecado mortal.

Santo Estanislau Kostka des­maiava só de ouvir uma palavra desonesta.

São Francisco de Assis, São Bento, São Bernardo, se revolviam na neve e entre espinhos ante o peri­go de cometer um só pecado.3

Em seu leito de morte dizia São Luís Maria Grignion de Mont­fort: “minha carreira terminou, não mais pecarei!”

Por intercessão d’Aquela que é Mãe de Misericórdia e Refúgio dos Pecadores, peçamos a graça de termos como escudo certo e eficaz contra as tentações, este Temor Fil­ial, que não é senão um amor cada vez mais crescente a Deus.

1Cf. S.T, II-II.q.19.

2Cf. Pe. Garrigou-Lagrange O.P. L’ Éter­nelle vie ET la profondeur de l’ame. E.d Desclée de Brovwes, Paris, 1950. P. 186-188.

3Cf. Beato Marcelino Champagnat. Edito­rial. Luís Vives, p. 414-415.

4 J.M. Texier. S.L. Maria Grignion de Montfort. E.d vozes, 1948. P. 220

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