Meditação para Quaresma

“Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra?”

Teatro do Curso de Férias 2015 dos Arautos do Evangelho, cujo tema era ‘vigilância e oração': “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”.

A tentação de Jesus se deu no início de sua vida pública e estendeu-se ao longo de quarenta dias no deserto, onde Ele permaneceu em oração e rigoroso jejum. Nosso Senhor se dispôs a ser nosso exemplo “para nos ensinar o modo de vencer as tentações. Por isso diz Santo Agostinho que Cristo Se deixou tentar pelo diabo a fim de ser nosso mediador e nos ajudar a triunfar sobre as tentações daquele, prestando-nos não apenas seu socorro, mas dando-nos também seu exemplo”.

Quis Ele submeter-Se a essa prova para nos dar exemplo, pois ninguém é imune à tentação.

Tentação de Cristo pelo Beato Fra Angélico Afresco do Museu de S. Marcos, Florença Scala Archives

Jesus sabia melhor do que ninguém os riscos pelos quais passamos em nossa existência e quis, com o exemplo de sua própria vida, advertir-nos a respeito deles – sobretudo aqueles que são chamados a uma via de maior entrega e perfeição. Daí também estar escrito: ‘Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação’ (Eclo 2, 1)”.

Na história da criação, os primeiros a padecerem a prova da tentação foram os Anjos, e nem todos permaneceram fiéis. Dentro dos ensinamentos de São Tomás de Aquino, sabemos que os homens entregues às vias da perfeição, o demônio não procura tentá-los diretamente para os pecados mais graves. Sua aproximação inicial é através das imperfeições e faltas leves, até o momento de propor as graves. Essa metodologia, ele a empregou no Paraíso terrestre ao seduzir nossos primeiros pais. Começou esforçando-se por despertar a gula de Eva: “Por que não comeis?…” Depois sua vã curiosidade: “Vossos olhos se abrirão…” Por fim, apresentou- lhe o último grau de orgulho: “Sereis como deuses…”

Mas Jesus era impecável, N’Ele não existia o fomes peccati nem sequer a mais leve inclinação ao pecado.

Conforme os desígnios de Deus, “convinha [a Jesus] que Ele se tornasse em tudo semelhante aos seus irmãos” (Hb 2, 17), pois, para levar até os extremos limites seu amor por nós, ao “compadecer-Se de nossas fraquezas”, maior perfeição manifestaria quando passasse “pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado” (Hb 4, 15).

Quanto a razão da oração e do jejum, basta-nos lembrar que “esta espécie de demônio só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17, 20).

O demônio não tem outra intenção a não ser afastar os homens de Deus, seu Criador, e levá-los à revolta. Deseja que todos pequem o quanto possível, para assim perderem o uso da verdadeira liberdade. Ele também odeia a verdadeira união que deve reinar no relacionamento entre os homens, e, atuando em sentido oposto, visa obter a desagregação da sociedade.

Assim como as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (cf. Mt 16, 18), assim também cada um de nós – desde que unido pela fé e pelas obras a Cristo Jesus, nosso sumo general, Rei, Sacerdote e Profeta – não conhecerá o fracasso, e com toda a segurança chegará ao triunfo final.

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As tentações nos obtêm, sobretudo, méritos para a eternidade. Tanto o santo quanto o pecador são tentados, e às vezes o primeiro mais que o segundo, a julgar pelo modo brutal com que satanás investiu contra Nosso Senhor. A diferença entre ambos é que um recusa as solicitações, e o outro se rende. De nossa parte, é preciso não consentir e, para isso,  nos apoiar no auxílio Divino.

Devemos, pois, nos unir ainda mais a Nosso Senhor Jesus Cristo, e a Nossa Mãe Santíssima, com a certeza de que para vencer todas as tentações é indispensável contar com a Graça Divina.

Fonte:
Revista Arautos do Evangelho, Fev/2007, n. 62, p. 10 à 17. Disponível em: http://www.arautos.org/artigo/1976/Os-beneficios-das-tentacoes-.html
DIAS, João S. Clá, O Inédito sobre os Evangelhos Vol I. Conclusão dos comentários ao Evangelho 1º Domingo da Quaresma – Ano A -Mt 4, 1 – 11. Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano, 2013

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