São Luís IX, rei e patrono da França

Muitos reis e rainhas foram canonizados ao longo dos anos: São Luís, rei da França, Santo Olavo da Noruega, Santo Henrique II, imperador alemão, Santa Isabel da Hungria, Santa Isabel de Portugal, e muitos outros. Isso mostra que a santidade pode ser vivida mesmo nos palácios e no âmbito do poder.

São Luís IX, rei e patrono de França, foi uma dessas almas fecundas em santidade sob as mais variadas facetas. A vastidão de seus empreendimentos e a diversidade de aspectos da sua vida inspiraram um famoso escritor francês a afirmar que nele “não se sabe o que mais admirar, se os atos do cavaleiro, do religioso, do patriarca, do rei ou do homem”.

Nascido em pleno século XIII, coube a ele governar um dos principais reinos da Europa em circunstâncias bem diferentes das atuais. Naquele tempo fazia parte dos encargos do Soberano, por exemplo, conduzir o exército para a guerra e lutar pessoalmente à frente de suas tropas. Teria sido incompreensível, como afirma Daniel-Rops, que um rei tão poderoso não tomasse parte no empreendimento das Cruzadas. Entretanto, acrescenta o historiador francês, “ao fazê-lo, devolveu-lhes a dignidade, a pureza de intenção e de comportamento que há tempos havia perdido”.

Ele pode ser considerado, antes de tudo, um homem que queria viver sob o olhar de Deus. Raramente se viu pessoa tão compenetrada de pertencer mais ao Céu que à Terra. Ao ponto de Joinville, seu fiel amigo e biógrafo, resumir assim a sua vida: “Este santo homem amou a Deus de todo o seu coração, e O tomou como modelo em suas obras”.

Seu amor a Deus e aversão ao pecado tornavam-no capaz de suportar quaisquer males. Um dia perguntou a seu fiel amigo e conselheiro:

— Joinville, o que preferes: contrair a lepra ou cometer um pecado mortal?

— Prefiro cometer trinta pecados mortais a contrair a lepra!

— Falas como um insensato — contestou o rei —, pois não há lepra tão vil como a de estar em pecado mortal. É verdade que, ao morrer, o homem livra-se da lepra do corpo; mas quem cometeu pecado mortal não tem certeza, na hora da morte, se seu arrependimento é suficiente para obter o perdão de Deus. Assim, peço-te que, por amor a Deus e a mim, prefiras padecer em teu corpo a lepra e toda outra doença, a ter em tua alma o pecado mortal.

Seu amor ao próximo e sua solicitude para com os pobres eram reflexo do desvelo da Divina Providência. Cavaleiro e religioso, patriarca e rei, seu maior título de glória é o de ter vivido sempre sob o olhar de Deus e a serviço da Divina Majestade.

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