A Igreja comemora neste primeiro de outubro o dia de Santa Teresinha do Menino Jesus. A graciosa santa francesa, entrou no Carmelo aos 15 anos de idade, falecendo aos 24 anos, depois de grandes sofrimentos físicos e espirituais. Apesar de morrer em jovem idade, alcançou a plenitude do amor à Nosso Senhora Jesus Cristo. Dela declarou o Papa São Pio X como sendo a “maior santa dos tempos modernos”.

“Preciosa é à vista do Senhor a morte de seus santos” (Salmos 116; 15). Após a luta do bom combate, recebe de Deus a recompensa eterna. A morte de Santa Teresinha se entremeia a fatos impressionantes que nos fazem ver a beleza daqueles que dormem no Senhor.

Nos últimos meses de vida, Santa Teresinha passou por sofrimentos físicos atrozes. Além de uma doença no peito, veio a ter tuberculose nos intestinos, o que provocou a gangrena. O tempo em que passava deitada, aliado à sua extrema magreza, lhe fizeram formar chagas no corpo, que provacavam uma dor intensa.

Como é a via dos santos, somaram-se sofrimentos espirituais. Certo dia, em seu leito, disse a uma de suas irmãs: “ O demônio está ao redor de mim; não o vejo, mas sinto-o… atormenta-me, prende-me como uma mão de ferro para impedir-me o mínimo alívio, aumenta meus males, para que eu desespere”. Mas tudo suportava com paciência e confiança na Virgem Maria.

Em 30 de setembro é acometida então pela agonia final, que, nas palavras de suas irmãs, “foi longa e terrível”. Seria este o último dia de sua vida. A respiração da santa tornou-se ofegante, ela tremia e suor lhe banhava o corpo. Isso durou por horas. Ela, com uma fortaleza heróica, ainda dizia: “ Eu não acreditaria que pudesse sofrer tanto … nunca, nunca! Não posso o explicar senão pelos desejos que tive de salvar almas”.

Suas irmãs observavam tudo estupefatas. A paciência dela lhes causava admiração. Sempre que alguma freira se aproximava de seu leito, a santa de Lisieux a recebia com um rosto gracioso, apesar de dores intensas que sentia. Apertava fortemente um crucifixo e tinha o olhar fixo numa imagem da Virgem Maria, com esperança de que Ela, Mãe das Dores, lhe ajudaria a suportar tudo.

Ao fim da tarde, Santa Teresinha olha para seu crucifixo e pronuncia estas palavras: “ Meu Deus, eu vos amo!” Foram suas últimas palavras. Após pronunciá-las, sua cabeça pende para a direita e sua respiração para.

É aqui que se deu um fato extraordinário, conforme relatado por sua irmã Celina: “ Mas de repente, ergueu-se como que chamada por uma voz misteriosa, abriu os olhos, fixou-os irradiantes um pouco acima da imagem milagrosa da Virgem. Esse olhar durou o espaço de um Credo… Pensei que havíamos assistido a seu julgamento!”

Neste curto espaço de tempo então, Santa Teresinha teve a retribuição de todos seus bons atos e o conhecimento de tudo o que receberia na eternidade com Deus. E vendo que a recompensa celestial, que a felicidade do Céu, é muito mais do que podemos imaginar, seu ser não se conteve de felicidade e alegria. Conforme continua sua irmã Celina: “ Era a vibração de todo o seu ser; parecia não poder suportar à vista de tanto amor, como alguém que sofre um assalto, várias vezes renovado, quer lutar e, na sua fraqueza, transforma-se em feliz vencido. Era demais! Fechou os olhos e exalou o último suspiro…”

Como Deus nos quer tanto no Céu, oferece-nos provas e lutas. Mas abundante em retribuir, nos dá o que a imaginação nem mesmo alcança. Que Santa Teresinha do Menino Jesus nos auxilie a termos o mesmo que fim o que seu: a eternidade feliz!