Por que as dificuldades da vida?

 

Certa vez um lavrador, que havia feito más colheitas, queixava-se, dizendo: “Se Deus deixasse a mim o governo do tempo, tudo iria melhor; porque pode-se ver que ele não entende muito do cultivo da terra”.
Deus quis mostrar-lhe quanto estava enganado, e disse:
— Por este ano eu te concedo o governo do tempo; terás tudo que pedires.
O ingênuo lavrador quase enlouqueceu de alegria, e disse:
“Agora, quero sol!” E veio o sol.

Mais tarde disse:
“Venha a chuva!” E choveu quanto ele quis.
E ia pedindo: de novo sol; de novo chuva. E assim durante o ano inteiro. A plantação crescia, crescia… que dava gosto vê-la.
Agora, sim, pode ver Deus como se governa, — dizia o lavrador com uma pontinha de orgulho.
Chegou o tempo da colheita. As espigas eram grandes, gordas, uma beleza!… Mas colhe uma, colhe outra, colhem-se várias e — que desgraça! todas as espigas estavam chochas, sem nenhum grão, tudo palha.
Dali a pouco vem Nosso Senhor ver a colheita e pergunta ao lavrador:
— Então, que tal a colheita?
— Muito má, Senhor! Muita palha e pouco grão!
— Mas não governastes tu o tempo? Não se fez tudo como desejavas?
— Sim, tudo… sempre pedi chuva… pedi sol…
— Pois é, e nunca pediste vento e tempestade, neve e gelo, e tudo que purifica o ar e torna resistentes as raízes… e por isso não há colheita!
Também no nosso caminho rumo ao céu: sem mau tempo não se faz boa colheita. Pedimos alegria, riquezas, saúde, bem-estar… As raízes das virtudes não penetram em terra firme e não podem produzir frutos. Sem dores, dificuldades, revezes não ajuntareis méritos para o céu. É preciso aceitar o que Deus enviar.

Cf. ALVES, P. Francisco. Tesouro de ExemplosPetrópolis: Vozes, 1960. Vol. 2. p. 58.

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