Brasil, Rio de Janeiro, Nossa Senhora do Carmo

Na sociedade atual está cada vez mais comum a falta de conhecimento no que diz respeito aos assuntos da religião.

Especial alvo desta carência é a noção dos fieis sobre a necessidade de beneficiar-se do sacramento da penitência ou confissão.

Com efeito, diz o Código de Direito Canônico que:

“no sacramento da penitência, os fiéis que confessem os seus pecados ao ministro legítimo, estando arrependidos de os terem cometido, e tendo também o propósito de se emendarem, mediante a absolvição dada pelo mesmo ministro, alcançam de Deus o perdão dos pecados cometidos depois do batismo”

(CIC 959)

Os ministros legítimos são os padres e os bispos.

Note-se que fala em pecados cometidos após o batismo, pois, de um lado só podem receber a absolvição dos pecados aqueles que foram batizados e, de outro lado, fica claro que qualquer pecado, cometido após o batismo, é matéria para confissão.

Em seguida se diz que “a confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja.” (CIC 960).

A Igreja é clara em afirmar que a maneira pela qual o fiel deve se reconciliar com Deus e receber o perdão de seus pecados e através da confissão individual auricular.

O texto fala em pecado grave. A noção tradicional da moral Católica sobre o pecado grave, também chamado de mortal, encontra-se em São Tomás de Aquino e é citada pelo Catecismo da Igreja Católica.

“Quando […] a vontade se deixa atrair por uma coisa de si contrária à caridade, pela qual somos ordenados para o nosso fim último, o pecado, pelo seu próprio objeto, deve considerar-se mortal […], quer seja contra o amor de Deus (como a blasfêmia, o perjúrio, etc.), quer contra o amor do próximo (como o homicídio, o adultério, etc.)”

(CEC 1856)

Agora, “para que um pecado seja mortal, requerem-se, em simultâneo, três condições: ‘É pecado mortal o que tem por objeto uma matéria grave, e é cometido com plena consciência e de propósito deliberado'” (CEC 1857).

E a Igreja, baseada nas Sagradas Escrituras e na Tradição, ensina que para que uma confissão seja válida, é de Instituição Divina que seja íntegra:

“A Confissão deve depois ser íntegra no sentido que deve enunciar «omnia peccata mortalia», como expressamente, na sessão XIV, capítulo V, afirma o Concílio de Trento, que explica esta necessidade não nos limites de uma simples prescrição disciplinar da Igreja, mas como exigência de direito divino, porque na própria instituição do sacramento assim o Senhor estabeleceu”

PENITENCIARIA APOSTÓLICA. O Sacramento da Penitência em sete alocuções e uma carta apostólica do Papa João Paulo II. Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/tribunals/apost_penit/documents/rc_trib_appen_doc_20000613_penance_po.html. Acessado em: 15/mai/2022.

Ou seja, todos os pecados mortais devem ser enunciados na confissão.

Além dos pecados mortais, também podem ser declinados os pecados veniais, sem no entanto, ser obrigatório.

O que são os pecados veniais?

Em contrapartida, quando a vontade do pecador por vezes se deixa levar para uma coisa que em si é desordenada, não sendo todavia contrária ao amor de Deus e do próximo (como uma palavra ociosa, um risco supérfluo, etc.), tais pecados são veniais”.

(CEC 1856)

Qual deve ser, pois, a frequência da confissão?

Em primeiro lugar, sempre que se tiver um pecado mortal, não confessado, o fiel tem o dever de se aproximar da confissão por caridade para consigo mesmo o quanto antes. Pois o como afirma o Catecismo da Igreja Católica o pecado mortal:

Tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no Inferno, uma vez que a nossa liberdade tem capacidade para fazer escolhas definitivas, irreversíveis”

(CEC 1861)

O atraso em procurar a reconciliação com Deus neste caso, se assemelharia a alguém que tivesse uma doença mortal, para a qual bastasse procurar um médico para saná-la, e não o faz.

Para aqueles que não tem pecado mortal, escolha-se livremente a assiduidade com que desejem receber a penitência. No entanto, sempre que tiverem pecados veniais, podem se acercar deste salutar sacramento, pois quem confessa um pecado, mesmo que venial, recebe graças especiais para vencê-lo que só são distribuídos no sacramento da penitência.

“Quando o sacerdote nos dá a absolvição, devemos pensar numa só coisa: que o sangue de Deus corre sobre a nossa alma para lavá-la, purificá-la e torna-la tão bela como era após o Batismo”.

(São João Maria Vianney)