Que as palavras ditas por nossas bocas são um forte instrumento de apostolado, conversão e salvação para nós e para o próximo não há dúvida alguma. Foi também com discursos, conversas, sermões e parábolas que Cristo legou sua mensagem aos apóstolos. “É por tuas palavras que serás justificado ou condenado”(São Mateus 12,7), tamanha é a importância e o valor daquilo que pronunciamos. Assim, São Domingos de Gusmão fundou no séc. XIII a Ordem dos Pregadores, destinada a propagar a fé católica, defendê-la dos ataques dos hereges e salvar almas. Para atingir esses objetivos, São Domingos deu importância especial aos estudos e à pregação, sem nunca descuidar da assídua oração, por isso “falar somente com Deus ou sobre Deus”.

Mas que importância teria essa frase para nós que vivemos séculos depois de São Domingos e nem somos dominicanos? A importância é capital, afinal ela encerra duas máximas essenciais para a vida de todo cristão: a oração e as boas conversas.

A oração, para São Tomás de Aquino, consiste na elevação da alma a Deus. Aquele que reza se desprende momentaneamente de suas preocupações materias, ambições e desejos para se fixar somente no Criador. Por isso, a oração é um “falar somente com Deus”, ela pressupõe certa concentração e respeito, ou seja, uma atenção especial na presença divina. Ao rezarmos o rosário ou conversamos amigavelmente com Deus no Santíssimo, Cristo nos ouve, garantindo-nos as graças que pedimos e necessitamos para nossa salvação eterna. Por isso o Catecismo Romano prescrever a abosluta necessidade da oração para a vida do católico. Pela oração glorificamos à Deus, evidenciamos nossa plena dependência em relação a Ele, reconhecemos nossa contingência  perante ao Ser necessário e o agradecemos por se o Autor de todos os bens.

O outro ponto que a frase de São Domingos nos remete são as boas conversas, ou seja, o falar sobre Deus. Parece que se fôssemos falar somente sobre Deus em nossas conversas logo ficaríamos sem assunto. Na verdade, todas as nossas conversas podem, mesmo que indiretamente, falar sobre Deus; o ideal é que busquemos com elas sempre a agradá-Lo. Ao observarmos e comentarmos com alguém, por exemplo, a alegria que um um beija-flor transmite, seu voo lépido, seu bater de asas ligeiro, a majestade com que parece pousar no ar para sugar o néctar das plantas e a pressa com que vai embora ao aproximar-se de um observador curioso, estamos remetendo nossa conversa ao Criador. Ao comentarmos os feitos dos santos, seus milagres, os fatos de suas vidas ou suas virtudes, estamos com isso glorificando à Deus, que foi tão bom ao operar maravilhas neles para que assim nos tivessêmos exemplos a imitar em nossas vidas. Vemos, com isso, um reflexo da beleza da Deus e podemos vislumbrar um pouco do Céu, pois se aqui nesta Terra Deus criou e operou tantas maravilhas, quanto mais então no Céu! E até mesmo boas conversas como um meio de lazer e repouso agradam a Deus, pois ensina São Tomás de Aquino que a alma também necessita de repouso e isso se obtém com o lazer, no qual as conversas se incluem, desde que guiadas sempre pela reta razão.

Desse modo, que a frase de São Domingos de Gusmão nos estimule a buscarmos a santidade e a perfeição também em nossas conversas com Deus e com o próximo.